quarta-feira, 10 de março de 2021

De Mendes e Mario a Pelé, o Maracanã virou moeda de troca

 Fui pego de surpresa com a mudança de nome do estádio de futebol Mário Filho, mais conhecido como Maracanã. Isso porque a câmara dos deputados (que não tem mais nada o que fazer) resolveu trocar o nome de Mario Filho para Edson Arantes do Nascimento, Rei Pelé. O autor do projeto é o deputado André Ceciliano (PT-RJ) que sequer consultou o craque.

Nada contra o Pelé, mas parece até aquelas piadas de fim de festa, onde você já bebeu todas e quer fazer graça sem graça. Os nosso deputados aqui do Rio de Janeiro se superam a cada mandato. Impressionante como não lhes falta trabalho. Sempre encontrando algo em ebulição ou precisando de ajuste. parabéns a classe politica que reina em nosso país. 

Dessa vez conseguiram a proeza de priorizar um tema que ninguém refutava e não refutaria jamais. O homenageado em questão, Mario Filho, escritor, jornalista e cronista esportivo, considerado o maior jornalista esportivo do Brasil e um dos mais ferrenhos incentivador para que o estádio Maracanã fosse construído onde ficava a antiga sede do Derby Club, no bairro do Maracanã. 

Irmão de Nelson Rodrigues, era um pernambucano com alma carioca. Torcedor do Flamengo, mas um crítico exemplar. Criou uma forma diferente de falar sobre futebol, menos rebuscada para época. Escreveu alguns livros, crônicas e é até hoje considerado o melhor cronista esportivo de todos os tempos. Após sua morte em 1966 devido a um ataque cardíaco, 

O Maracanã já passou por trocas de identidades. Primeiro se chamou  Estádio Municipal do Mendes de Moraes, nome do então prefeito da cidade. Depois do fracasso na copa de 1950 e com o desgaste do prefeito na época, mudou para Estádio Municipal do Maracanã, pois o estádio fica situado no bairro do Maracanã. Só em 1966 passou a se chamar Estádio Jornalista Mario Filho. 

Dito tudo isso acho que fica evidente que a história do Maracanã está ligada ao maior jornalista esportivo do Brasil. Portanto caros deputados fluminenses, acho que os senhores deveriam se preocupar com leis e assuntos pertinentes ao estado, pois o que nós precisamos hoje é de uma câmara ativa aos interesses de toda a população do estado do Rio de janeiro. 

Vivemos num estado onde a crescente alta de contaminação do corona vírus parece não ter fim. Governador e prefeitos divergem em quase tudo que se diz respeito a essa situação e os nossos representantes desejam trocar o nome do Maracanã? faça-me um favor. Vão procurar assuntos mais relevantes para se preocuparem. 

E a troca seria pelo nome do Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos. Sim e daí? Primeiro que Pelé é mineiro, segundo que é cria do Santos, então, vamos deixar para essa homenagem partir de onde deveria. Aliás, já existe um Estádio no Brasil que leva o seu nome. Isso me cheira a manobras políticas e das grandes. 

Com todo respeito aos fãs do Pelé, mas trocar o nome de Mario Filho a essa altura do campeonato não faz sentido nenhum. No mínimo é um desrespeito a história do grande responsável pelo Estádio existir. E vocês, funcionários do povo que não encontraram um tema mais interessante para trabalhar, vão caçar o que fazer!


Entrada principal do Maracanã.

Mario Filho e Pelé: Ídolos da história do futebol brasileiro.


segunda-feira, 1 de março de 2021

Próxima parada! Não tem parada! Segue o fluxo.

Começamos o mês de março parabenizando a cidade maravilhosa do Rio de janeiro. Sou carioca da gema, mas faz alguns anos vivo em Niterói, cidade que aprendi a gostar e amar. Uma espécie de segunda pele. Tem um "Quê" de não sei o que e também é linda por natureza, mas o meu Rio de Janeiro estará sempre em primeiro lugar mesmo que algumas pessoas desejem acabar com essa parte da história de nosso povo e nossa cultura. Parabéns pelo seus 456 anos! Vida longa e prospera!

E com março chega também os campeonatos regionais e a nova temporada no futebol. Já amanhã teremos o atual bicampeão brasileiro enfrentando seu primeiro adversário no campeonato que outrora era chamado de "o mais charmoso" do Brasil, o Nova Iguaçu. Jogará com um time formado com jogadores da base e mais João Gomes e Michael, que figuravam no elenco campeão e o primeiro reforço para a temporada, o zagueiro Bruno Viana, que estava no Braga de Portugal. Eles pediram para jogar o carioca. 

Os grandes do futebol não tiveram tempo para uma pré-temporada, mas isso não foi só os times do Rio e sim, todos os times do país, pois como a pandemia fez com que os campeonatos ano passado demorassem a começar, tiveram que esticar até agora. E na verdade a temporada de 2020 só termina dia 7 de março, quando o jogo da volta entre Palmeiras e Grêmio encerra e define o campeão da Copa do Brasil. A vantagem está com o Verdão que venceu por 1 a 0 a partida de ida no Sul. 

Lembro-me bem quando em um passado não tão distante tínhamos um campeonato carioca onde seus protagonistas esbanjavam qualidade técnica e no início do certame era difícil cravar um favorito. Nos dias de hoje não nos restam muitas opções, pois a qualidade técnica e a gestão de seus dirigentes os reduziram a apenas dois clubes capazes de ainda darem certa alegria a pratica do futebol regional. Me refiro apenas ao estado do Rio, pois em se falando de grandes centros futebolísticos, temos apenas o de São Paulo que compreende quatro grandes clubes, sendo três da capital (São Paulo, Corinthians e Palmeiras) e um do litoral, o Santos de Pelé. 

Os demais centros, as disputas estão sempre entre dois grandes clubes que conseguem alternar a hegemonia na maioria das vezes. O futebol brasileiro já teve seu melhor momento e hoje vive de memórias, relíquias cada vez mais raras de uma era de ouro de nosso futebol. E nesse quesito eu vou mais além dos gramados, em todos os aspectos. Tudo que envolve o futebol carioca sofreu uma mudança que hoje sentimos de forma avassaladora. 

E num momento totalmente fora de contexto, temos uma temporada que termina e uma que se inicia que deverá seguir os passos de 2020, ou seja, sem muitas perspectivas de volta a normalidade esportiva, leia-se, com torcedores nos estádios. Acho que os envolvidos diretamente com futebol deveriam aproveitar esse momento de mudanças e mudarem também. Isso mesmo, mudar de forma radical e evolutiva. Pensar mais no clube e seu patrimônio maior, a sua torcida. E a CBF também entra nessa mudança, ser mais participativa com os clubes e deixar de lado a arrogância e a prepotência. Será que 1987 não serviu de lição? 

Teremos agora quatro meses de um campeonato que serve mais para iludir torcedor e na melhor das possibilidades, treinar os times de ponta. Lamentável que nos dias de hoje ainda haja simpatizantes dos torneios regionais, uma vez que, não ajuda em nada aos grandes e menos ainda aos pequenos clubes. Como diria meu amigo Juarez Botelho, torcedor fanático do Mequinha (América RJ), - "Já não se faz mais carioca como antigamente." Tenho que concordar com ele. 


Ao clube de Regatas do Flamengo vai aqui a minha congratulação pelo título de 2020 ganho em 2021. Parabés a Nação Rubro Negra que nos últimos dois anos tem muito o que comemorar. Foram sete títulos. Parabéns Rubro Negro!